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Polícia NARCOTRÁFICO

Operação Air Box desmantela esquema de maconha premium dos EUA para o Brasil via Paraguai

Investigação internacional apreende 147 quilos de droga de alto valor e revela laboratório sofisticado de produção de cannabis em Assunção

02/06/2026 09h22
Por: Redação Fonte: Antonio Coca
Laboratório clandestino descoberto em Assunção utilizava tecnologia avançada para produção de maconha premium destinada ao mercado brasileiro. (Foto: SENAD)
Laboratório clandestino descoberto em Assunção utilizava tecnologia avançada para produção de maconha premium destinada ao mercado brasileiro. (Foto: SENAD)

Uma operação conjunta entre a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD), o Ministério Público paraguaio e autoridades aeroportuárias resultou, nesta terça-feira (2), na desarticulação de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de maconha premium. Batizada de Operação Air Box, a ação revelou uma sofisticada rota de envio de drogas dos Estados Unidos para o Brasil, utilizando o Paraguai como ponto estratégico de distribuição.

A investigação teve início no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Luque, onde agentes da Unidade de Inteligência Sensível (SIU) interceptaram uma carga procedente da Califórnia, nos Estados Unidos. A encomenda havia sido declarada como “obras de arte” e tinha como destinatário o Instituto Superior de Belas Artes de Assunção. No entanto, as apurações confirmaram que a instituição não possuía qualquer relação com a remessa.

Com autorização judicial da magistrada Rosarito Montanía e coordenação da promotora Ingrid Cubilla, os agentes abriram duas caixas de madeira e encontraram 147,4 quilos de maconha premium, droga conhecida pelo alto teor de THC, princípio ativo responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis. Segundo estimativas das autoridades paraguaias, a carga apreendida está avaliada em cerca de US$ 2 milhões no mercado ilegal.

Destino final seria o mercado brasileiro

As investigações apontam que a droga não seria comercializada no Paraguai. O objetivo da organização era abastecer o mercado brasileiro, especialmente grandes centros urbanos, por meio de rotas que utilizavam a região de fronteira como corredor logístico.

Entre os presos estão Ever Ramón Suárez Maldonado, de 44 anos, advogado e morador de Capitán Bado, cidade paraguaia localizada na fronteira com Coronel Sapucaia (MS), além de Carlos Daniel Díaz Sanabria, também de 44 anos e natural da mesma cidade. Outro detido foi identificado como José Carlos Araujo Junior, preso em um depósito na capital paraguaia.

As prisões ocorreram simultaneamente em um hotel na cidade de Luque, onde parte dos suspeitos aguardava a chegada da carga, além de uma oficina mecânica e um depósito utilizado pelo grupo criminoso.

Laboratório clandestino surpreende investigadores

Durante as buscas realizadas em Assunção, os agentes descobriram que a organização não dependia exclusivamente da importação da droga norte-americana. No depósito utilizado pelo grupo foi localizado um moderno laboratório de cultivo indoor de cannabis.

O espaço contava com tendas climatizadas, sistemas avançados de iluminação e ventilação, além de equipamentos de monitoramento de temperatura e umidade. Também foram encontradas mudas de diferentes variedades de cannabis, demonstrando um elevado grau de especialização na produção da chamada maconha gourmet ou skunk.

De acordo com as autoridades, a estrutura operava em um padrão muito superior ao observado no tráfico convencional de maconha prensada, comum na região de Amambay.

Golpe na logística do tráfico internacional

Para a SENAD, a Operação Air Box representa um duro golpe contra uma modalidade de tráfico que vem ganhando espaço na América do Sul. O crescimento da demanda por drogas de maior valor agregado, especialmente no Brasil, tem levado organizações criminosas a diversificar fornecedores, rotas e métodos de produção.

A operação também chama atenção para o papel estratégico da região de fronteira entre Paraguai e Mato Grosso do Sul, utilizada por grupos criminosos para movimentar entorpecentes destinados aos principais mercados consumidores do país.

As investigações prosseguem para identificar outros integrantes da organização e rastrear possíveis conexões internacionais envolvidas no esquema criminoso.

 

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