Ir para um lugar onde se conhece pouco da cultura e nada da língua nativa é sempre uma aventura. Minha história se desenrolou em 2013, quando eu e meu amigo José Luiz partimos com as patroas para uma aventura na Turquia. Era o auge da novela Salve Jorge e o país era destino para um número cada vez maior de brasileiros. Só em nosso grupo éramos em 40. E rodamos quase 900 km lá dentro, desde Istambul, passando pela Capadócia e chegando até a fronteira com a Grécia.
Além de ser um país belíssimo, a Turquia, antiga Constantinopla, faz parte do que meu amigo Marcelino Nunes chama de ‘pretérito da humanidade’. É também uma nação que fica em dois continentes (Europa e Ásia). Está no Oriente Médio, é vizinha de países árabes e tem a esmagadora maioria da população formada por muçulmanos. Mas não é considerado um país árabe.
E, como em toda viagem, o número de presepadas é enorme. E já começou na primeira noite no hotel em Istambul quando o pobre do garçom tentava, quase em vão, explicar o jeito correto de tomar a bebida tradicional deles, o Raki: um destilado feito à base de uvas (ou figos) aromatizado com sementes de anis. Com um teor alcoólico de cerca de 45% a 50% a bebida é famosa pelo seu ritual de preparo, sendo diluída em água e gelo antes de beber.
Pois é, antes de entendermos que era preciso misturar água e gelo, foram algumas talagadas do trem mais amargo que eu já havia experimentado. Fora o porre e a dor de cabeça. Mas, como diria o saudoso Jorge Antônio Salomão: “tá valendo”.
Depois de um tour por Istambul no primeiro dia, foi a vez de todo mundo acordar as 5h da manhã e entrar no “busão” para desbravar as terras que já foram dominadas pelos otomanos. Aí começaram os dramas para dois nanicos com pouco mais (bem pouco mais) de 1,60m.
Como a maioria das refeições era na estrada e em postos de combustíveis, foi quase um milagre encontrar local pra fazer xixi que a gente conseguisse alcançar. Fora que pra fazer o número dois tinha o drama dos banheiros daqueles que não tem vaso sanitário, só o buracão e a marca pra colocar os pés. E era bom não errar a mira.
Na hora de comer, com 40 brazucas nas mesas, o garçom, bigodudo e com quase dois metros de altura resolveu cobrar logo a despesa, mesmo com todo mundo ainda no meio do rango. Zé Luiz olha pra mim e solta a pérola: “avisa ele que só vou pagar quando eu terminar de almoçar”. Nem precisou de tradução: o homem fez cara feia e nós tratamos de pagar logo.
Em uma mesquita em Bursa quase terminei minha carreira de turista. Entrei no banheiro pra tirar água do joelho, mas escolhi o lugar errado para fazer o serviço. Ao invés do mictório, desaguei onde eles fazem o ritual de lavar os pés antes de ir para o templo. Por uns 30 segundos não fui flagrado por três turcos que entraram logo em seguida lá. O calor era de quase 40 graus, mas eu saí de fininho, suando frio.
Na Capadócia vamos nós pro tradicional passeio de balão. Foi tudo muito tranquilo, suave, sem falar na vista, simplesmente espetacular. Mas, no dia seguinte, já de novo dentro do ônibus e a caminho do Mar Egeu, na fronteira com a Grécia, os telefones começaram a disparar. Os nossos e de muitos outros que estavam na mesma viagem. Tinha caído um balão e infelizmente três brasileiros morreram. Moral da história: em 2013 a internet não era tão moderna e nós passamos o dia inteiro explicando que estávamos vivos.
Voltamos pra Istambul, juntamos um grupo com uns oito casais, fretamos uma VAN e fomos jantar em um restaurante que nos indicaram no hotel. Lugar lindo, à beira do Estreito de Bósforo. Só não avisaram sobre o preço. Comida boa, vinho, boas risadas e, claro, um conta inesquecível pra pagar.
E veio então o tradicional dia livre do pacote de viagem. Fomos para a Praça Taksim, onde a vida noturna ferve com dezenas e dezenas de bares, restaurantes e boates. Hora de voltar pro hotel e, o taxista deu tanta volta com a gente pra faturar mais, que quase conhecemos a cidade inteira. Eu fiquei puto e foi a vez do Zé mandar essa: “olha o seu tamanho e o tamanho do cara. Vamos pagar logo e cair fora”.
Mas ainda tinha emoção na hora de voltar. Vamos embora pro aeroporto e lá por causa das precauções em relação ao terrorismo, logo na entrada já tem Raio X. Fui tirar o cinto, que arrebentou. E a calça era folgada. Então tinha que carregar as malas, fazer o check-in e, claro, cuidar pra não ficar pelado e pagar mico. E, como drama pouco é bobagem, ainda deu overbooking (que é quando a companhia aérea vende mais passagens do que a capacidade da aeronave) e tivemos que nos encaixar em outro voo.
No final, tudo valeu muito a pena. A Turquia é sensacional.
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