A XVII Semana Científica de Estudos em Medicina Veterinária, realizada pela UNIGRAN, reuniu especialistas, acadêmicos e profissionais em torno de discussões sobre as novas demandas do setor veterinário, com foco em reprodução animal, sanidade, clínica e conservação da fauna silvestre.
O evento ocorreu em um momento de expansão da pecuária sul-mato-grossense. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso do Sul mantém um dos maiores rebanhos bovinos do País, com mais de 18 milhões de cabeças, cenário que tem ampliado a busca por profissionais especializados em reprodução e gestão sanitária.
A abertura oficial do encontro foi conduzida pelo coordenador do curso de Medicina Veterinária da UNIGRAN e presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV-MS), Thiago Leite Fraga. Ele destacou que a escolha dos temas priorizou a aproximação entre Instituição de Ensino Superior e setor produtivo.
“A nossa maior preocupação na hora da escolha desses temas é a conversa com o mercado de trabalho, então a gente tem que trazer toda essa exigência e experiência do mercado de trabalho para dentro da instituição para dentro da academia”, disse.
Ainda na abertura, a Dra. Fabiana Melo Sterza, ministrou a palestra ‘A pecuária reprodutiva se resume a IATF?’, abordando que a pecuária reprodutiva não se resume apenas à Inseminação Artificial em Tempo Fixo, apesar de a técnica ser uma das ferramentas mais eficientes na produção de bovinos, vista como um pilar de melhoramento genético.
“Nós temos a pecuária como um carro-chefe do nosso estado. Então, sem dúvida nenhuma, é um grande diferencial o médico-veterinário que se especializa nessa área porque tem condições de agregar valor no seu serviço e consequentemente de melhorar a produtividade dos nossos sistemas de produção”, reforçou Fabiana.
A programação incluiu palestras e minicursos voltados à aplicação prática de técnicas utilizadas no mercado. Um dos destaques foi o minicurso sobre produção in vitro de embriões bovinos, ministrado também pela pesquisadora Fabiana. Durante a atividade, acadêmicos acompanharam simulações das etapas de aspiração folicular e desenvolvimento embrionário em laboratório. Para a pesquisadora, a incorporação dessas tecnologias às propriedades rurais já é uma realidade consolidada no estado.
“A biotecnologia da produção em vitro de embriões tem sido cada vez mais presente no dia a dia das propriedades rurais, especialmente no Mato Grosso do Sul”, afirmou.
E, além das discussões ligadas à pecuária, a programação abordou o atendimento e a reabilitação de animais silvestres, área que vem exigindo maior capacitação técnica dos profissionais. A coordenadora da Clínica Veterinária da UNIGRAN, Camila Nascimento,
avaliou que o contato direto com especialistas contribui para ampliar a percepção dos estudantes sobre as possibilidades de atuação profissional.
“Isso abre uma visão gigantesca para esses acadêmicos, muitos estão finalizando já na reta do curso, então isso ajuda bastante a realmente saber se eles querem atuar nessa área”, afirmou.
Ao longo dos três dias, o evento também promoveu debates sobre ética profissional, inovação tecnológica e exigências contemporâneas da medicina veterinária, reforçando a tendência de formação cada vez mais alinhada às demandas do agronegócio e da conservação ambiental.
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