A Jornada Acadêmica de Radiologia 2025, realizada no Anfiteatro do Bloco IV da UNIGRAN, reuniu estudantes, docentes e profissionais da saúde para discutir os rumos da inteligência artificial em um dos setores mais sensíveis da sociedade: a radiologia. A palestra de abertura do evento, ‘IA e LGPD’, ministrada por Vinícius de Souza Andrade, consultor em Tecnologia e Inovação com mais de duas décadas de experiência, destacou como a transformação digital vem remodelando práticas clínicas, exigindo novas competências e rigor ético diante de um cenário em rápida evolução.
Segundo Vinícius, a escolha do tema foi motivada por três fatores: a urgência regulatória — já que o setor da saúde está entre os mais multados pela ANPD, o avanço tecnológico acelerado, com 30% dos hospitais brasileiros utilizando soluções de IA, e a crescente vulnerabilidade digital, uma vez que 32% dos ataques cibernéticos no país miram instituições de saúde. “Conformidade legal não limita inovação, a potencializa”, enfatizou, reforçando que segurança, governança e transparência são hoje elementos estruturais e não apenas questões procedimentais.
Durante a palestra, o consultor apresentou dados que evidenciam o impacto da IA nas rotinas clínicas. Em Radiologia, algoritmos já oferecem aumento de produtividade entre 30% e 50%, reduzem o tempo médio de elaboração de laudos e ampliam a precisão diagnóstica, alcançando sensibilidade superior a 95% e diminuindo em 15% a incidência de falsos negativos. Ele também destacou a utilização da IA na transcrição de evoluções médicas e na comparação automática de casos clínicos, contribuindo para padronização e agilidade.
O equilíbrio entre tecnologia, ética e legislação foi abordado a partir de cinco eixos de governança: transparência ao paciente, uso de sistemas explicáveis (XAI), auditorias periódicas de viés, processamento de dados exclusivamente em território nacional e contratos robustos com responsabilidades definidas. “Privacidade deve ser incorporada desde a arquitetura do sistema. Quando tratada como fundamento, e não como etapa final, torna-se vantagem competitiva e fortalece a confiança do paciente”, afirmou.
Ao tratar das competências exigidas para o futuro profissional, o palestrante destacou duas dimensões essenciais: fluência em IA, para operar, avaliar e compreender modelos diagnósticos em constante mudança e raciocínio crítico, capaz de contextualizar achados, identificar inconsistências e manter a dimensão humana do cuidado. Para ele, “algoritmos processam dados repetitivos, humanos processam emoções complexas; quanto mais automatizamos tarefas, mais humanizamos relações”.
Em mensagem final aos acadêmicos, Vinícius ressaltou que a nova geração tem a oportunidade de liderar uma Radiologia mais ética, precisa e acessível. “Vocês podem ser a geração que elimina disparidades no acesso à radiologia, comprova que eficiência e humanização crescem juntas e conduz a transformação digital com sabedoria e compaixão”, enfatizou.
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