As medidas anunciadas pelo Governo do Estado para flexibilizar o processo de licenciamento do Manejo Integrado do Fogo (MIF), que consiste na autorização para que o proprietário rural realize queimadas controladas em sua propriedade, é o reconhecimento de uma técnica usada historicamente pelo pantaneiro como uma necessidade para controlar os incêndios em sua propriedade.
A opinião é do presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Gilson de Barros, ao avaliar como extremamente positiva a decisão governamental atendendo a uma reivindicação antiga dos pantaneiros. Ele disse que os altos valores por hectare taxados pelo Imasul (Instituto do Meio Ambiente de MS), por meio da portaria nº 1.259, inviabilizavam o licenciamento em grandes propriedades.
Controle natural
“O não controle adequado do fogo originou os grandes incêndios que ocorreram no Pantanal nos últimos anos”, pontuou Barros. “É muito melhor queimar algo como 5% a 10% da fazenda, durante as chuvas, para evitar que 70%, 80% queime na seca. O que o pantaneiro quer é que se incentive as queimas controladas, uma prática usada no mundo. O Pantanal é uma savana e toda savana é sujeita a fogo.”
O presidente do sindicado explicou que após o período chuvoso as gramíneas que o gado e os animais selvagens não consonem se acumulam, formando uma biomassa que se torna um combustível para o fogo sem controle. “Quando se queima essas áreas, a rebrota é consumida pelo gado e os animais e, assim, fazemos o controle natural há mais de dois séculos”, citou.
“Essa prática também deve ser usada nas reservas ambientais, RPPNs e parques, para evitar que sejam sistematicamente assoladas por grandes incêndios, como ocorreu no ano passado”, cobrou o dirigente rural.
Mais agilidade
A modernização do licenciamento do Manejo Integrado do Fogo é um processo natural, conforme explicou o diretor presidente do Imasul, André Borges, com base no que foi observado nos últimos anos em que a medida vem sendo aplicada no Estado. "Estamos discutindo as mudanças a serem feitas, atendendo demandas dos proprietários rurais”, disse.
O governo estadual anunciou que a modernização no licenciamento dará mais agilidade nas ações de prevenção contra o fogo, reduzindo a incidência, intensidade e a severidade de incêndios, bem como promover o processo de educação ambiental, utilizando o fogo como ferramenta para erradicação de espécies exóticas e invasoras, quando consideradas indesejadas.
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