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Fogo é viver no esquecimento!

Fogo é viver no esquecimento!

15/09/2020 08h03 Atualizada há 6 anos atrás
Por: Redação
Foto: Reprodução
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Impossível suportar a gritaria da Gretalândia Brasileira, da imprensa sensacionalista e muito menos o oportunismo dos carcarás da política, sedentos pela carniça dos últimos acontecimentos no Pantanal. Todos já deram sua participação no espetáculo e agora façam-nos a fineza de se recolher aos seus proverbiais sectarismos e incompetências e nos deixar tratar daquilo que realmente interessa: as  consequências para os seres humanos que habitam o Pantanal, sua economia, seu modo de vida e seu futuro. Parece perda de tempo, a esta altura, ficarmos dando atenção aos aloprados de plantão e aos notórios aproveitadores. O Pantanal foi palco de grandes e médias enchentes nos últimos trinta e cinco anos, e, no momento atravessa uma longa estiagem que, se prolongada, irá se transformar em grande seca. Nesse cenário de grandes eventos climáticos, torna-se necessária uma política abrangente que alcance seres humanos, flora e fauna visando minorar os efeitos dos rigores da Natureza. Entretanto, os governos, em todos os níveis, precisam despertar para a realidade pantaneira neste novo contexto mundial, em que os fatos não se restringem a um micro universo local, mas a todo o planeta quando se trata de questões do Meio Ambiente. Existe uma cortina densa de fumaça envolvendo interesses econômicos estratégicos que buscam manipular governos e populações em todo o mundo. O Pantanal, talvez por nossa própria culpa, se tornou um instrumento de pressão desses interesses globalistas, e não estamos manejando adequadamente essa realidade. Pior, muitos brasileiros poderosos se aliaram a esse grande mecanismo, executando tarefas antipatrióticas, entregando de bandeja nosso potencial, comprometendo nosso futuro. A única forma de enfrentamento dessa máquina diabólica será promover econômica e socialmente  a região pantaneira, integrando-a ao padrão socioeconômico do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, guardando as peculiaridades que a própria natureza e os seculares saberes de sua gente impõem. Assim como o Brasil é credor da comunidade mundial de uma contrapartida pela conservação de seus recursos naturais em benefício da humanidade e ao mesmo tempo, todos têm de reconhecer a necessidade de prover a população amazônica dos recursos da civilização, aqui também no Pantanal, há que se pagar o preço do desenvolvimento sustentável. Um programa realista que contemple a utilização dos recursos naturais disponíveis em benefício da comunidade local compatível com os reclamos da consciência ambiental, sem radicalismos dos ativismos verdes, pensado e construído aqui. Seria o coroamento do processo singular de uma cultura que, por séculos, soube conservar quase como intocada a natureza aqui existente, e que por isso merece um mínimo do progresso necessário para seu desenvolvimento material. “Integrar para não entregar” foi uma bandeira em relação à Amazônia, mas que se aplica a todo o território nacional e muito especificamente  ao visado Pantanal. Devemos urgentemente pensar em como implementar infraestrutura mínima de transporte, comunicação e energia na planície pantaneira. Há que se pensar em toda uma logística a ser implantada em apoio à produção e escoamento, de gente e produtos, em moldes locais, mas que atendam com dignidade sua população como pontilhões, algumas estradas tronco e acesso aos portos fluviais. Flexibilizar e baratear o cumprimento da Legislação aeronáutica, para que as imprescindíveis aeronaves de pequeno porte possam voltar a incrementar os negócios legais e o atendimento da população rural. Estimular a introdução de modernas tecnologias para a exploração sustentável dos potenciais naturais disponíveis. Estancar e reverter o êxodo das famílias pantaneiras, detentoras dos ensinamentos tradicionais que sempre nortearam sua conduta frente à Natureza, implantando escolas rurais voltadas para a valorização desse conhecimento. Dar um tratamento diferenciado aos contribuintes do Pantanal compensando as preocupações ambientais que impõe restrições de uso do solo. Criar linhas de crédito para apoiar e viabilizar as atividades econômicas diferenciadas por conta de atendimento da rigorosa legislação ambiental impostas aos cidadãos pantaneiros. Recuperar urgentemente a navegabilidade do Rio Taquari e dos mais de um milhão de hectares de terras produtivas deixadas ao abandono por absoluta falta de vontade política, e até de vergonha, de sucessivos governantes. Dar consistência e deixar proprietários do Planalto e da Planície realizarem, sem maiores  interferências, os processos de Compensação Ambiental previstos no Código Florestal, tão adequado para a região, de maneira a se agregar mais um incentivo para viabilização econômica das atividades tradicionais. Estes exemplos e sugestões de políticas públicas com certeza promoverão a fixação do Homem Pantaneiro, o verdadeiro guardião destas fronteiras. Estas deverão ser as preocupações dos governantes, dos legisladores, da imprensa e de quantos amam com sinceridade o Pantanal. O resto é o antipatriotismo de setores que vivem às custas das mazelas nacionais. O País precisa reagir a esse criminoso avanço sobre nossas riquezas, que só será possível quando o cidadão perceber que o seu sacrifício e sua luta em prol da natureza lhe trarão o esperado benefício. Manoel Martins de Almeida, produtor rural no Pantanal
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