A diminuição das áreas de plantio de feijão no Brasil é um caso alarmante. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na safra 2021/22, o país terá a menor área cultivada com o grão desde 1976.
Mesmo com os avanços tecnológicos e de pesquisa, não é possível aumentar a produtividade a ponto de equiparar a perda de áreas plantadas.
Enquanto isso, segundo dados do Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (Ibrafe), o consumo da população brasileira gira em torno de 223 mil toneladas de feijão.
O principal deles é a falta de um dos principais produtos da cesta básica brasileira na mesa da população, seguido do aumento do preço nas gôndolas, que acaba limitando o poder de compra de boa parte das famílias.
Ou seja, falta do alimento de qualquer forma, seja por escassez ou por preço.
“Há tempos não temos excedentes. Todo feijão-carioca colhido é imediatamente consumido. Abriremos o ano com redução de 13% no Paraná. O que significa que não haverá recuos significativos no momento da colheita em janeiro e fevereiro. Estamos levantando as áreas de plantio dos outros estados, principalmente Minas Gerais, que deverá plantar a maior área desta primeira safra”, afirmou o presidente do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders.
Concorrência
Um dos principais fatores que causaram a diminuição das áreas é a concorrência direta com a soja e o milho, commodities que apresentam grande mercado externo, com valores pré-fixados.
Enquanto a área plantada de soja cresceu mais de 5 vezes, ou 460%, passando de 6,9 milhões de hectares para 38,9 milhões de hectares e a de milho quase dobrou, passando de 11,7 milhões de hectares para 19,9 milhões, o feijão, por sua vez, segue perdendo espaço.
É a cultura com maior redução estimada de área, totalizando 1,048 milhão de hectares na próxima década. O arroz vem em segundo lugar, com perda de 1,046 milhão de hectares.
Futuro do feijão
Mas esses números podem ficar ainda piores.
De acordo com projeções do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), a dinâmica atual deve se estender pelo menos pelos próximos dez anos.
A expectativa é que, entre as safras de 2020/21 e de 2030/31, a área cultivada da soja ainda vá expandir mais 26,8%, chegando a ocupar 48,8 milhões de hectares.
Como se não bastasse a produção menor, o Brasil enfrenta um segundo problema que é a falta armazenamento.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla do inglês Food and Agriculture Organization) recomenda que um país tenha pelo menos três meses de estoque dos seus produtos básicos, especialmente daqueles produtos que sejam sensíveis a quebras de safra e que tenham dificuldade de importação, que é o caso do feijão.
Conforme informações da Conab, os estoques públicos de feijão no país foram reduzidos consideravelmente em 2016 e estão completamente zerados desde 2017.
Produção deficitária e falta de estoques públicos fazem com que o país dependa cada vez mais das importações.
Incentivo
Pensando em colaborar para a mudança desse cenário, o Ibrafe desenvolveu o projeto Rally dos Feijões, que vai percorrer um circuito de 2.100 km pelos principais pólos produtores do Mato Grosso durante 12 dias – entre 28 de novembro e 9 de dezembro.
O foco é sensibilizar, além de produtores rurais, toda a rede que contribui com a atividade agrícola, como cooperativas, cerealistas, agrônomos, técnicos agrícolas, entre outros.
O intuito principal é ajudar os presentes a enxergar as oportunidades do mercado, considerando a evolução do consumo e outros indicadores, analisados diariamente pelo Ibrafe, além de dialogar com autoridades públicas locais e regionais, a fim de conscientizá-los da importância do fomento da produção de feijão.
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