Quinta, 11 de Junho de 2026 19:41
(67) 999729192
Geral DIREITOS INDÍGENAS

MPMS promove escuta inédita com mulheres indígenas da Aldeia Pirakuá para combater violência doméstica

Círculo de Paz realizado em Bela Vista busca identificar demandas da comunidade e fortalecer a rede de proteção às mulheres indígenas

10/06/2026 15h29 Atualizada há 1 dia atrás
Por: Redação Fonte: Antonio Coca
MPMS promove escuta inédita com mulheres indígenas da Aldeia Pirakuá para combater violência doméstica

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deu início a uma importante ação voltada à defesa dos direitos das mulheres indígenas da Aldeia Pirakuá, localizada no município de Bela Vista. Atendendo a um pedido formal apresentado pela liderança da comunidade, a instituição realizou uma visita técnica com foco na escuta ativa das moradoras, em uma iniciativa que busca compreender as principais demandas locais e construir estratégias efetivas de enfrentamento à violência doméstica e às violações de direitos.

A ação foi conduzida pela Promotora de Justiça Substituta Dafne Prado Sabag e representa um marco na aproximação entre o Ministério Público e a comunidade indígena, priorizando o diálogo direto com as mulheres afetadas por situações de vulnerabilidade social e violência.

Segundo a promotora, a iniciativa surgiu após o cacique da Aldeia Pirakuá procurar o MPMS para relatar a preocupação com o elevado número de casos de violência e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres da comunidade para acessar mecanismos de proteção e garantia de direitos.

“A primeira coisa que me ocorreu foi ir lá ouvir as mulheres, para entender do que elas precisam. Foi um primeiro passo para a escuta. Antes de propor qualquer medida, precisávamos ouvir, e elas trouxeram diversas questões complexas que estão vivenciando”, destacou Dafne Prado Sabag.

Círculo de Paz cria espaço seguro para diálogo

Para estimular a participação das mulheres e garantir um ambiente acolhedor para os relatos, o Ministério Público utilizou a metodologia do Círculo de Paz, ferramenta baseada na escuta respeitosa, no diálogo horizontal e na construção coletiva de soluções.

Durante o encontro, as participantes compartilharam experiências, preocupações e dificuldades enfrentadas no cotidiano. Além dos relatos sobre violência doméstica, surgiram demandas relacionadas à falta de acesso a serviços públicos, dificuldades para registrar denúncias formais e carências estruturais que impactam diretamente a qualidade de vida das famílias indígenas.

A atividade foi considerada pela equipe técnica como um momento de grande relevância humana e social, permitindo que as mulheres expressassem suas necessidades em um ambiente de confiança e respeito às especificidades culturais da comunidade.

Demandas vão além da violência

Os relatos apresentados durante o Círculo de Paz evidenciaram que os desafios enfrentados pelas mulheres da Aldeia Pirakuá ultrapassam a questão da violência física. Entre os principais pontos levantados estão a dificuldade de acesso aos canais de denúncia, a necessidade de fortalecimento da rede de assistência social, a escassez de recursos básicos e a maior presença do poder público dentro da comunidade.

As participantes também destacaram a importância de políticas públicas que respeitem a realidade cultural dos povos indígenas e garantam atendimento adequado às demandas locais.

Próxima etapa será a construção de soluções

Com as informações coletadas durante a visita, o MPMS inicia agora uma nova fase do trabalho, que consiste na articulação com órgãos públicos e instituições parceiras para buscar soluções concretas às demandas apresentadas.

A expectativa é que sejam desenvolvidas ações integradas voltadas ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres indígenas, à ampliação do acesso à justiça e à implementação de medidas que promovam segurança, cidadania e dignidade dentro da Aldeia Pirakuá.

Para o Ministério Público, a iniciativa reforça a importância da atuação preventiva e da presença institucional junto às comunidades tradicionais, valorizando o diálogo e a escuta como instrumentos fundamentais para a promoção dos direitos humanos.

Ao levar a justiça para mais perto da realidade vivida pelas mulheres indígenas, o MPMS reafirma seu compromisso com a proteção dos povos originários e com o enfrentamento da violência de gênero, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e respeitosa às diversidades culturais.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias